04/09/2013, o meu evento do ano.
O dia começou mega cedo pois precisei ir no laboratório de medicina nuclear fazer linfocintilografia para detecção do tal linfonodo sentinela.
Claro que cheguei apreensiva mas me fez um bem danado estar la antes da cirurgia, conheci sete mulheres entre 30 e 80 anos que iriam fazer a cirurgia naquele dia. Todas tranquilas, falando sobre a vida e não muito preocupadas com a doença, parecia um chá da tarde.
Fui chamada para fazer o exame. Primeiro aplicação de uma injeção totalmente indolor guiada por mamografia, depois a enfermeira veio fazer massagem para o líquido subir para a axila e pronto, bora pra máquina fazer as imagens mas obvio que o meu líquido não subiu, as imagens não puderam ser feitas logo de cara e tive que tomar uma nova injeção. Dessa vez foi na aureola e doeu pra cacete (mulheres devem saber o grau da dor, para homens, digamos que seja a mesma sensibilidade que vcs tem la embaixo) mas dessa vez deu tudo certo.
Final de exame, bora pro hospital. Eu estava estranhamente tranquila, nem me reconhecia.
Internei por volta das 12:30hs e a hora não passava.
Jejum desde às 08:00hs (sólido e líquido) e só as 16:00hs o cirurgião chegou para fazer as marcações no meu peito. Ja estava tensa pq meu psicologico estava preparado para operação às 16hs e ja havia passado 1:30hs quando foram me buscar para o centro cirúrgico.
(Ai bateu tristeza pq pensei na minha mãe se despedindo de mim e lembrando que a ultima vez que vimos meu pai com vida foi quando ele foi levado ao centro cirúrgico.)
Mas vamos falar de mim: dessa vez o avental era mais bonitinho, era desenhadinho e o enfermeiro que me levou para a salinha do bem (ou do mal) era gente boa pra caramba.
Ele ligou o motorzinho da maca e fomos passando por corredores estreitos, com subidas e descidas. Me senti num trem fantasma antes de chegar na mesa cirúrgica, foi divertido.
Lembro de ter falado com minha masto, com o anestesista gato (de vdd gente, gaaaato) e cataploft, acordei escutando que não foi preciso colocar dreno e brigando com o enfermeiro que disse que não tinha como eu fazer xixi sentada porque eu estava com sonda "mas moço você não esta entendendo, eu preciiiiiso fazer xixi sentada"
Voltei para o quarto às 22:30hs e disse minha tia que dei maior chilique pq a TV estava ligada no Ratinho e eu não queria assistir aquela bosta (na hora que fiquei sabendo disso fiquei preocupada se fui operada do peito ou da cabeça, afinal, como eu , Renata, a rainha da cafonice, reclamando do Ratinho?)
Liguei para algumas amigas que ja conhecem minha voz quando estou bebada (Su, Pati Guedes, "tamo juntas"), para minha avó e dormi super bem dentro das condições que me encontrava.
No dia seguinte, às 11hs, a visita que eu tanto esperava, dr. cirurgião me dando alta e me dando a melhor noticia possível: linfonodo sentinela negativo e sem esvaziamento axilar, uma etapa ultrapassada.
Minha experiencia cirúrgica foi positiva, estive cercada de carinho dos profissionais do hospital Osvaldo Cruz (recepcionista, enfermeiras, médicos) e de amor da família e amigos.
Após isso casa, repouso, braço sem mexer, faniquito por ter que passar final de semana em casa, noites mal dormidas pq odeio dormir de peito pra cima, antibiótico, anti-inflamatório, dipirona, Candy Crush, visita de pessoas queridas, ligações e comida + comida + comida.
Hoje, dia 09, fui ao cirurgião trocar o curativo e minha recuperação esta indo super bem.
Agora posso voltar a digitar mas ainda não posso levantar o braço.
Mãe, você ainda vai ter que continuar me dando banho.


