segunda-feira, 9 de setembro de 2013

TA NA HORA,TA NA HORA (OU MAIS UMA ETAPA VENCIDA)

Fiquei um pouco ausente porque estava maneta: repouso, silicone, cicatriz, pontos mas agora voltei e vou contar um pouco de como foi o dia da cirurgia.
04/09/2013, o meu evento do ano.
O dia começou mega cedo pois precisei ir no laboratório de medicina nuclear fazer linfocintilografia para detecção do tal linfonodo sentinela
Claro que cheguei apreensiva mas me fez um bem danado estar la antes da cirurgia, conheci sete mulheres entre 30 e 80 anos que iriam fazer a cirurgia naquele dia. Todas tranquilas, falando sobre a vida e não muito preocupadas com a doença, parecia um chá da tarde.
Fui chamada para fazer o exame. Primeiro aplicação de uma injeção totalmente indolor guiada por mamografia, depois a enfermeira veio fazer massagem para o líquido subir para a axila e pronto, bora pra máquina fazer as imagens mas obvio que o meu líquido não subiu, as imagens não puderam ser feitas logo de cara e tive que tomar uma nova injeção. Dessa vez foi na aureola e doeu pra cacete (mulheres devem saber o grau da dor, para homens, digamos que seja a mesma sensibilidade que vcs tem la embaixo) mas dessa vez deu tudo certo.
Final de exame, bora pro hospital. Eu estava estranhamente tranquila, nem me reconhecia.
Internei por volta das 12:30hs e a hora não passava.
Jejum desde às 08:00hs (sólido e líquido) e só as 16:00hs o cirurgião chegou para fazer as marcações no meu peito. Ja estava tensa pq meu psicologico estava preparado para operação às 16hs e ja havia passado 1:30hs quando foram me buscar para o centro cirúrgico.
(Ai bateu tristeza pq pensei na minha mãe se despedindo de mim e lembrando que a ultima vez que vimos meu pai com vida foi quando ele foi levado ao centro cirúrgico.)
Mas vamos falar de mim: dessa vez o avental era mais bonitinho, era desenhadinho e o enfermeiro que me levou para a salinha do bem (ou do mal) era gente boa pra caramba.
Ele ligou o motorzinho da maca e fomos passando por corredores estreitos, com subidas e descidas. Me senti num trem fantasma antes de chegar na mesa cirúrgica, foi divertido.
Lembro de ter falado com minha masto, com o anestesista gato (de vdd gente, gaaaato) e cataploft, acordei escutando que não foi preciso colocar dreno e brigando com o enfermeiro que disse que não tinha como eu fazer xixi sentada porque eu estava com sonda "mas moço você não esta entendendo, eu preciiiiiso fazer xixi sentada"
Voltei para o quarto às 22:30hs e disse minha tia que dei maior chilique pq a TV estava ligada no Ratinho e eu não queria assistir aquela bosta (na hora que fiquei sabendo disso fiquei preocupada se fui operada do peito ou da cabeça, afinal, como eu , Renata, a rainha da cafonice, reclamando do Ratinho?)
Liguei para algumas amigas que ja conhecem minha voz quando estou bebada (Su, Pati Guedes, "tamo juntas"), para minha avó e dormi super bem dentro das condições que me encontrava.
No dia seguinte, às 11hs, a visita que eu tanto esperava, dr. cirurgião me dando alta e me dando a melhor noticia possível: linfonodo sentinela negativo e sem esvaziamento axilar, uma etapa ultrapassada.
Minha experiencia cirúrgica foi positiva, estive cercada de carinho dos profissionais do hospital Osvaldo Cruz (recepcionista, enfermeiras, médicos) e de amor da família e amigos.
Após isso casa, repouso, braço sem mexer, faniquito por ter que passar final de semana em casa, noites mal dormidas pq odeio dormir de peito pra cima, antibiótico, anti-inflamatório, dipirona, Candy Crush, visita de pessoas queridas, ligações e comida + comida + comida.
Hoje, dia 09, fui ao cirurgião trocar o curativo e minha recuperação esta indo super bem.
Agora posso voltar a digitar mas ainda não posso levantar o braço.
Mãe, você ainda vai ter que continuar me dando banho. 




domingo, 1 de setembro de 2013

FLUOXETINA - AMOR ETERNO, AMOR VERDADEIRO

Eu sempre fiz terapia, aliás digo que todo mundo deveria fazer pelo menos uma vez na vida.
Comecei com a holística, cromoterapia, reiki, florais, que aliás foi muito importante pra despertar esse dom em mim e depois comecei a fazer terapia com psicólogos. Foram novas descobertas e é bem legal cuidar da mente e espírito, super recomendo.
O que me levou para a terapia a primeira vez foi minha ansiedade incontrolável. Ansiedade que me tira a fome, me da dor de estomago e solta meu intestino mas sempre fui contra tomar remédio para controla-la.
Me mantive "controlada" com os caminhos que optei para cuidar disso, cheguei a fazer acupuntura mas nunca me rendi aos remédios.
Até que com a chegada do bicho fui obrigada a rever meus conceitos.
Na espera sem fim pelo resultado da biópsia foram 5 kg perdidos (ja contei aqui). Vomitar antes de um simples exame de ultrassom, vomitar apenas por pensar besteira ... percebi que meu controle ja tinha ido pro beleléu.
Comecei fazer terapia mas não tive dúvidas em procurar um psiquiatra, afinal se continuasse sem comer e vomitando eu ia definhar e não posso pensar em fraquejar.
Bom, ai entra minha nova paixão: a Fluoxetina.
Ou vocês acham que toda essa minha "calma" e bom humor para levar o assunto é porque sou uma pessoa espiritualizada, conformada e os cambau? Certeza que o remedinho ta fazendo bem o seu papel.
Feedback pós fluoxetina:
- Psicologa: "nossa Re, vc parece outra pessoa sabe. Nem um mês do seu diagnóstico e vc esta super bem"
- Mastologista: "nossa Renata, hj vc esta bem mais legal (acho que ela não gostou de mim), pq nas outras consultas ou vc chorava ou desembestava a falar e não prestava atenção em mim"
- Chefe: "a Renata que saiu daqui pra pegar o resultado dos exames não é a mesma de hoje, parecem duas pessoas diferentes"
E por último o psiquiatra: " vc opera daqui um mês?"
                                        "não doutor, daqui uma semana"
                                        " o que, uma semana (cara de espanto)? Tem certeza? Essa Renata aqui na minha frente é a mesma que eu to lendo aqui no computador?

Então, pois é ... me apaixonei pela Fluo <3



terça-feira, 27 de agosto de 2013

ANJOS NO CAMINHO (PARTE 1)

Desde que começou essa história toda tenho encontrado vários anjos no meu caminho.
Eu acredito em anjos e mais ainda, acredito que Deus coloca eles diante de nós em forma de pessoas, textos, músicas e momentos.
O primeiro anjo colocado na minha vida chegou quando eu ainda tinha "um carocinho" que provavelmente não era nada.
Minha chefe resolveu fazer um plano de saúde empresarial e no dia em que íamos assinar os papéis ela me chamou pra conversar e me convenceu a fazer um plano mais caro, ja que o que eu pagava não era tão bom quanto ao que eu iria adquirir.
Demorei um pouco pra decidir afinal quem fica doente são os outros mas a Pati me convenceu.
E oh, se não fosse esse plano que tenho agora certamente ia apelar para o SUS.
Minha relação com ela é louca e engraçada. Trabalhamos juntas há quase 4 anos e ja tivemos vários arranca rabo. Ja nos estranhamos a valer mas pq somos muito parecidas.
Somos teimosas, bocudas mas muito talentosas e competentes (fazemos uma boa dupla)
Nesses anos a Pati esteve presente em bons e nos piores momentos da minha vida.
Acho que foi por isso que ela foi a primeira pessoa que eu contei que estava com um nódulo no seio. Sei lá, deu vontade. Do nada pensei preciso contar pra alguém e esse alguém não foi nem minha mãe, nem minhas melhores amigas... foi ela.
Ganhei um abraço e muitas palavras de apoio mas no melhor estilo "não vai ser nada" mas quando descobrimos que era as palavras de consolo também vieram, assim como as de hoje " você sabe que eu sempre acredito que não vai ser nada, e não vai ser".
A Pati foi o primeiro anjo (ou bruxinha como eu sempre digo que ela é) que me fez fazer um plano de saúde melhor sem saber o quanto seria importante nessa fase da minha vida.



"CORY BIOPSY" - A BUSCA PELO BICHO

Sendo meu exame o nome não poderia ser simplesmente biópsia, tinha que ser "cory biopsy"
Pra falar a verdade quando ouvi falar em biópsia foi a primeira vez que tremi e chorei a valer.
Existem alguns tipos de biópsia para detectar qualquer problema em nódulos na mama. Os mais comuns são punção, cory biopsy e mamotomia porém muitas mulheres também passam por pequenas cirurgias para retirar fragmentos devido a massa mamária ser muito densa.
No caso da cory biopsy é preciso tomar anestesia local para que, com uma seringa de sucção, sejam retirados fragmentos do tumor que darão ou não boas notícias. Através desses fragmentos é possível ter informações patológicas sobre o bicho.
No dia antes do exame não aguentei e fui ler sobre o procedimento, óbvio que só encontrei depoimentos de mulheres falando que era horrível, que doia a beça e por ai vai.
La fui eu fazer o tal exame. Se eu tivesse que fazer colonoscopia nesse dia não ia passar uma agulha, se é que vocês me entendem.
La fui eu para a sala gelada, de vestidinho verde "lindro", aka avental clinico, deitei na maca e um médico bem bonitão entrou no consultório (aqui vale um comentário: o lado bom da doença é que tem uns homi pegando nos meus peitos)
Ja estava preparada para sentir uma dor infernal quando senti a primeira picadinha. Segunda picadinha e não sentia meu peito dormente mas também nada de dor. Estava esperando ele adormecer como acontece com os dentes ... nada.
De repente vejo o bisturi na mão do médico e solto com toda a calma que Deus me deu (aloka):
- Como você vai me cortar se você nem sabe se a anestesia pegou? (cara de panico)
- Ja cortei Renata. (sorriso)
Foi assim, o exame foi super tranquilo não senti dor nenhuma,só depois que ficou roxo mas quem conhece minha cor palmito pode imaginar.
Sai do laboratório chamando o médico de mãos de anjo.
Quem precisar e puder fazer o exame no laboratório Cura, marquem com o Dr. Harley.
Além de mãos de anjo, bonito, me falou coisas muito positivas quando viu pelo ultrassom o que seria inevitável.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O BICHO NÃO TEM 7 CABEÇAS

Mas duas ou três ele tem, vai por mim!
Passado período de surto e período de revelações, veio o período de entendimento.
Palavras da minha médica querida: "a parte mais difícil do tratamento você ja passou que é o diagnóstico"
Bem doutora, não é bem assim ...
Sai do consultório médico e corri pra internet.
Calma, não fui atras de informações técnicas, nenhuma informação sobre o bicho e que poderia me fazer surtar novamente por não entender o que os laudos querem dizer.
Prometi pra mim, minha mãe, meus amigos e pra médica que serei uma ignorante no assunto, me entregarei a Deus e aos tratamentos.
Fui atras de histórias de sucesso, de pessoas que derrotaram o bicho, pq ele pode ser derrotado, muita, muita gente ja derrotou e muitos outros estão em vias de.
No facebook encontrei muitas comunidades sobre Câncer de Mama e como encarar o problema de forma positiva (sim, é possível)
Vou escrever aqui o que falo para todo mundo que me olha com cara de pena, pq sim, esse é o primeiro sentimento que a gente sente qdo encontra alguém com câncer.Eu ja fui assim, associava pessoas carecas, de lenços e fazendo quimioterapia como com um pezinho la no mundo de São Pedro e hoje não mais, pq de verdade galera, dói pra burro saber que as pessoas estão com pena de você.
O primeiro passo é entender que câncer tem cura, que embora carreguemos um histórico negativo da doença a cura é mais frequente do que a gente imagina.
A mídia bombardeia com mensagens negativas. Nego teve câncer a 20 anos atras, morre de dor de dente mas a noticia é "fulano que lutava cotra um câncer ..."
Desassociar o bicho da morte não é tarefa fácil, mas eu (acho) ja consegui.
Segundo: câncer é o nome dado para mais de 100 doenças diferentes, são as células que crescem de forma desordenada e desordenam a nossa vida mas é uma doença personalizada, cada um tem a sua, assim como cada um tem o seu tratamento e suas reações a ele.
Terceiro, e muito importante, os médicos não encaram da forma fatalista como nós leigos e deixam claro que tem pessoas que vivem com o bicho como se fosse uma doença cronica, como uma diabetes por exemplo.
Quarto: medicina hiper avançada, principalmente para o meu tipo.
Quinto: parece incrível, mas além das meninas da internet (acho que ja li mais de 300 depoimentos de pessoas que passaram pelo perrengue), todo mundo que conto do meu caso vem com a historia de alguém que ja teve e se curou.
E fora tantas outras coisas que Deus tem posto no meu caminho e que não me derrubam, pelo contrário, me empurram pra frente...
Acho que mais pra frente esse assunto vai gerar novos posts mas é importante deixar claro: "não é todo mundo que tem câncer que morre"
Mas depressão, não ir atrás da cura, desistir do tratamento pq é um porre e cansativo mata e muito, assim como tem gente que se mata ao saber o diagnostico. Isso é triste.
Agora uma coisa que mata é deixar o bicho se espalhar e atingir órgãos vitais e isso pode acontecer com gente irresponsável como eu fui.
Hoje não me culpo mais pois graças a Deus meu "figo", meus ossos e meu pulmão estão tinindo de saúde e como a dra. mastologista querida disse com um sorriso no rosto : "tinha muito medo do seu tumor ser agressivo pois você é nova, mas graças a Deus as suas células doentes são muito próximas do que são células saudáveis"
Enqto isso to aqui esperando a cirurgia e levando vida normal, ou quase normal, ja que aboli temporariamente a cervejinha


PIOR ANIVERSARIO DA VIDA

Meu aniversário foi no auge do surto.
Meu medo do diagnostico e meu primeiro aniversário sem meu pai transformou meu dia em um transtorno sem fim.
Quem me ligou para cumprimentar ganhou choro do outro lado da linha, e claro que foi avisado do que poderia vir pela frente.
Ouvi algumas vezes: "o que esta acontecendo, vc esta com uma voz péssima" (eu estava péssima).
E assim, antes mesmo de saber o que tinha, ja começou a se formar uma corrente do bem.
Ano que vem prometo festa, pq depois que isso tudo passar minha vida sera só festa.

O SURTO

(não a banda que cantava que pirou o cabeção)
Receber essa notícia não é nada fácil, ainda mais com a mãe do lado.
Você não sabe se preocupa com você, com ela, com o bicho, com o tratamento ...
Foi difícil, porém não tanto quanto o meu período pré diagnóstico.
O dia que fui na mastologista com minha mamografia "BIRAID 4", ela tocou meu caroço irregular, me olhou com cara de "então, bem, huumm" e me pediu a biópsia, eu ja sabia.
Sabia mas obviamente não queria acreditar.
Nesse dia chorei muito, não fui trabalhar, liguei pra amiga-irmã aos prantos.
A partir desse dia, acho que 10 de junho, até o resultado dia 04 de julho fiquei desesperada. Chorava por tudo, não me concentrava em nada, pensava na "minha vida sem mim" (alias esse é o nome de um filme maravilhoso).
Biopsia marcada pro dia 19 de junho, desmarcada pelo laboratório e remarcado pro dia 20. O que são mais 24hs pra quem ja esta em pânico?
Até o dia do resultado foram horas de almoço na igreja, comida não passava na garganta (vomitava de nervoso) e assim perdi 5 kilos.
Trabalho? Estava no piloto automático. Não conversava com ninguém, mergulhava no que tinha pra fazer e de hora em hora me fechava no banheiro pra chorar.
Medo era tudo que eu sentia: da dor, da morte, da cirurgia, do tratamento, da tristeza da mãe ... do resultado que ainda nem tinha dado positivo.
Nessa época de surto tem uma pessoa muito especial que preciso agradecer, aliás duas: Hamilton e Sabrina, colegas de trabalhos queridos que seguraram minha barra.
Na falta do meu pai o Hamilton foi o "pai" que me deu ombro, conselhos e mensagens positivas.
A Sá, que havia acabado de entrar na empresa, foi minha companhia pra desabafar, chorar e me ver encher o prato de comida na hora do almoço e jogar tudo fora. Foi também a pessoa que me disse: "presta atenção no que você tem que aprender com isso"
Eu aprendi Sa, mas conto em outro post.
Mas o surto passou, aceitei a fase, não neguei em tempo algum e isso foi o melhor que fiz por mim.