terça-feira, 27 de agosto de 2013

ANJOS NO CAMINHO (PARTE 1)

Desde que começou essa história toda tenho encontrado vários anjos no meu caminho.
Eu acredito em anjos e mais ainda, acredito que Deus coloca eles diante de nós em forma de pessoas, textos, músicas e momentos.
O primeiro anjo colocado na minha vida chegou quando eu ainda tinha "um carocinho" que provavelmente não era nada.
Minha chefe resolveu fazer um plano de saúde empresarial e no dia em que íamos assinar os papéis ela me chamou pra conversar e me convenceu a fazer um plano mais caro, ja que o que eu pagava não era tão bom quanto ao que eu iria adquirir.
Demorei um pouco pra decidir afinal quem fica doente são os outros mas a Pati me convenceu.
E oh, se não fosse esse plano que tenho agora certamente ia apelar para o SUS.
Minha relação com ela é louca e engraçada. Trabalhamos juntas há quase 4 anos e ja tivemos vários arranca rabo. Ja nos estranhamos a valer mas pq somos muito parecidas.
Somos teimosas, bocudas mas muito talentosas e competentes (fazemos uma boa dupla)
Nesses anos a Pati esteve presente em bons e nos piores momentos da minha vida.
Acho que foi por isso que ela foi a primeira pessoa que eu contei que estava com um nódulo no seio. Sei lá, deu vontade. Do nada pensei preciso contar pra alguém e esse alguém não foi nem minha mãe, nem minhas melhores amigas... foi ela.
Ganhei um abraço e muitas palavras de apoio mas no melhor estilo "não vai ser nada" mas quando descobrimos que era as palavras de consolo também vieram, assim como as de hoje " você sabe que eu sempre acredito que não vai ser nada, e não vai ser".
A Pati foi o primeiro anjo (ou bruxinha como eu sempre digo que ela é) que me fez fazer um plano de saúde melhor sem saber o quanto seria importante nessa fase da minha vida.



"CORY BIOPSY" - A BUSCA PELO BICHO

Sendo meu exame o nome não poderia ser simplesmente biópsia, tinha que ser "cory biopsy"
Pra falar a verdade quando ouvi falar em biópsia foi a primeira vez que tremi e chorei a valer.
Existem alguns tipos de biópsia para detectar qualquer problema em nódulos na mama. Os mais comuns são punção, cory biopsy e mamotomia porém muitas mulheres também passam por pequenas cirurgias para retirar fragmentos devido a massa mamária ser muito densa.
No caso da cory biopsy é preciso tomar anestesia local para que, com uma seringa de sucção, sejam retirados fragmentos do tumor que darão ou não boas notícias. Através desses fragmentos é possível ter informações patológicas sobre o bicho.
No dia antes do exame não aguentei e fui ler sobre o procedimento, óbvio que só encontrei depoimentos de mulheres falando que era horrível, que doia a beça e por ai vai.
La fui eu fazer o tal exame. Se eu tivesse que fazer colonoscopia nesse dia não ia passar uma agulha, se é que vocês me entendem.
La fui eu para a sala gelada, de vestidinho verde "lindro", aka avental clinico, deitei na maca e um médico bem bonitão entrou no consultório (aqui vale um comentário: o lado bom da doença é que tem uns homi pegando nos meus peitos)
Ja estava preparada para sentir uma dor infernal quando senti a primeira picadinha. Segunda picadinha e não sentia meu peito dormente mas também nada de dor. Estava esperando ele adormecer como acontece com os dentes ... nada.
De repente vejo o bisturi na mão do médico e solto com toda a calma que Deus me deu (aloka):
- Como você vai me cortar se você nem sabe se a anestesia pegou? (cara de panico)
- Ja cortei Renata. (sorriso)
Foi assim, o exame foi super tranquilo não senti dor nenhuma,só depois que ficou roxo mas quem conhece minha cor palmito pode imaginar.
Sai do laboratório chamando o médico de mãos de anjo.
Quem precisar e puder fazer o exame no laboratório Cura, marquem com o Dr. Harley.
Além de mãos de anjo, bonito, me falou coisas muito positivas quando viu pelo ultrassom o que seria inevitável.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O BICHO NÃO TEM 7 CABEÇAS

Mas duas ou três ele tem, vai por mim!
Passado período de surto e período de revelações, veio o período de entendimento.
Palavras da minha médica querida: "a parte mais difícil do tratamento você ja passou que é o diagnóstico"
Bem doutora, não é bem assim ...
Sai do consultório médico e corri pra internet.
Calma, não fui atras de informações técnicas, nenhuma informação sobre o bicho e que poderia me fazer surtar novamente por não entender o que os laudos querem dizer.
Prometi pra mim, minha mãe, meus amigos e pra médica que serei uma ignorante no assunto, me entregarei a Deus e aos tratamentos.
Fui atras de histórias de sucesso, de pessoas que derrotaram o bicho, pq ele pode ser derrotado, muita, muita gente ja derrotou e muitos outros estão em vias de.
No facebook encontrei muitas comunidades sobre Câncer de Mama e como encarar o problema de forma positiva (sim, é possível)
Vou escrever aqui o que falo para todo mundo que me olha com cara de pena, pq sim, esse é o primeiro sentimento que a gente sente qdo encontra alguém com câncer.Eu ja fui assim, associava pessoas carecas, de lenços e fazendo quimioterapia como com um pezinho la no mundo de São Pedro e hoje não mais, pq de verdade galera, dói pra burro saber que as pessoas estão com pena de você.
O primeiro passo é entender que câncer tem cura, que embora carreguemos um histórico negativo da doença a cura é mais frequente do que a gente imagina.
A mídia bombardeia com mensagens negativas. Nego teve câncer a 20 anos atras, morre de dor de dente mas a noticia é "fulano que lutava cotra um câncer ..."
Desassociar o bicho da morte não é tarefa fácil, mas eu (acho) ja consegui.
Segundo: câncer é o nome dado para mais de 100 doenças diferentes, são as células que crescem de forma desordenada e desordenam a nossa vida mas é uma doença personalizada, cada um tem a sua, assim como cada um tem o seu tratamento e suas reações a ele.
Terceiro, e muito importante, os médicos não encaram da forma fatalista como nós leigos e deixam claro que tem pessoas que vivem com o bicho como se fosse uma doença cronica, como uma diabetes por exemplo.
Quarto: medicina hiper avançada, principalmente para o meu tipo.
Quinto: parece incrível, mas além das meninas da internet (acho que ja li mais de 300 depoimentos de pessoas que passaram pelo perrengue), todo mundo que conto do meu caso vem com a historia de alguém que ja teve e se curou.
E fora tantas outras coisas que Deus tem posto no meu caminho e que não me derrubam, pelo contrário, me empurram pra frente...
Acho que mais pra frente esse assunto vai gerar novos posts mas é importante deixar claro: "não é todo mundo que tem câncer que morre"
Mas depressão, não ir atrás da cura, desistir do tratamento pq é um porre e cansativo mata e muito, assim como tem gente que se mata ao saber o diagnostico. Isso é triste.
Agora uma coisa que mata é deixar o bicho se espalhar e atingir órgãos vitais e isso pode acontecer com gente irresponsável como eu fui.
Hoje não me culpo mais pois graças a Deus meu "figo", meus ossos e meu pulmão estão tinindo de saúde e como a dra. mastologista querida disse com um sorriso no rosto : "tinha muito medo do seu tumor ser agressivo pois você é nova, mas graças a Deus as suas células doentes são muito próximas do que são células saudáveis"
Enqto isso to aqui esperando a cirurgia e levando vida normal, ou quase normal, ja que aboli temporariamente a cervejinha


PIOR ANIVERSARIO DA VIDA

Meu aniversário foi no auge do surto.
Meu medo do diagnostico e meu primeiro aniversário sem meu pai transformou meu dia em um transtorno sem fim.
Quem me ligou para cumprimentar ganhou choro do outro lado da linha, e claro que foi avisado do que poderia vir pela frente.
Ouvi algumas vezes: "o que esta acontecendo, vc esta com uma voz péssima" (eu estava péssima).
E assim, antes mesmo de saber o que tinha, ja começou a se formar uma corrente do bem.
Ano que vem prometo festa, pq depois que isso tudo passar minha vida sera só festa.

O SURTO

(não a banda que cantava que pirou o cabeção)
Receber essa notícia não é nada fácil, ainda mais com a mãe do lado.
Você não sabe se preocupa com você, com ela, com o bicho, com o tratamento ...
Foi difícil, porém não tanto quanto o meu período pré diagnóstico.
O dia que fui na mastologista com minha mamografia "BIRAID 4", ela tocou meu caroço irregular, me olhou com cara de "então, bem, huumm" e me pediu a biópsia, eu ja sabia.
Sabia mas obviamente não queria acreditar.
Nesse dia chorei muito, não fui trabalhar, liguei pra amiga-irmã aos prantos.
A partir desse dia, acho que 10 de junho, até o resultado dia 04 de julho fiquei desesperada. Chorava por tudo, não me concentrava em nada, pensava na "minha vida sem mim" (alias esse é o nome de um filme maravilhoso).
Biopsia marcada pro dia 19 de junho, desmarcada pelo laboratório e remarcado pro dia 20. O que são mais 24hs pra quem ja esta em pânico?
Até o dia do resultado foram horas de almoço na igreja, comida não passava na garganta (vomitava de nervoso) e assim perdi 5 kilos.
Trabalho? Estava no piloto automático. Não conversava com ninguém, mergulhava no que tinha pra fazer e de hora em hora me fechava no banheiro pra chorar.
Medo era tudo que eu sentia: da dor, da morte, da cirurgia, do tratamento, da tristeza da mãe ... do resultado que ainda nem tinha dado positivo.
Nessa época de surto tem uma pessoa muito especial que preciso agradecer, aliás duas: Hamilton e Sabrina, colegas de trabalhos queridos que seguraram minha barra.
Na falta do meu pai o Hamilton foi o "pai" que me deu ombro, conselhos e mensagens positivas.
A Sá, que havia acabado de entrar na empresa, foi minha companhia pra desabafar, chorar e me ver encher o prato de comida na hora do almoço e jogar tudo fora. Foi também a pessoa que me disse: "presta atenção no que você tem que aprender com isso"
Eu aprendi Sa, mas conto em outro post.
Mas o surto passou, aceitei a fase, não neguei em tempo algum e isso foi o melhor que fiz por mim.

SIM, É ISSO MESMO ... CANCÊR

Hoje não tenho mais problemas em falar nisso tanto que quero dividir com todo mundo, aumentar minha corrente do bem e ajudar quem esta passando por isso.
Pois é, eu hospedo um bichinho conhecido como "cancêr" dentro do meu peito direito a alguns meses.
Perdi meu pai e ganhei essa companhia indesejável no mesmo dia (mas que também ja esta de partida)
Demorei uns meses para procurar ajuda porque é claro que não era nada, afinal isso só acontece com o conhecido do conhecido do conhecido. Deixei meu hóspede passar Natal, Ano Novo e até Carnaval comigo, e minhas férias em Minas e Foz também (mas fui uma puta irresponsável, admito, mas isso tem nome e atende por medo)
Aliás minha ginecologista também acreditava piamente que não era nada, afinal tenho só 36 anos, faço meus exames anuais direitinho ... tanto que demorei 2 meses para ser encaminhada para biópsia (ou "cory biopsy", depois conto como é)
Bom, aprendi uma coisa, ginecologista entende dos países baixos, dos montes quem entende é mastologista e foi ela, que com toda a calma do mundo, me disse: "Fica calma que a medicina esta super avançada e logo você vira essa página".
(eu super calma, só que não, chorando, desesperada e esperando a morte chegar nos próximos 10 minutos)
E assim foi meu começo nesse mundo desconhecido, cheio de tabus, nomes técnicos mas cheio de amor, carinhos, cuidados e principalmente aprendizado